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Sair

Agelau não esperou que Licaão alcançasse o último degrau.

— Isto estava preso aos cestos.

Ergueu a faixa de tecido diante dele.

Licaão continuou descendo.

Mélas permanecia junto à entrada da sala grande. Dois homens de Parrásia, recém-chegados para tratar da passagem de rebanhos, aguardavam próximos às colunas. Um servo atravessava o pátio carregando uma cesta de figos e diminuiu o passo ao perceber o tom do sacerdote. Mais atrás, Theron conversava com um guarda.

Níctimo continuou na escada.

Licaão registrou cada um antes de responder.

— Sei de onde veio.

Agelau baixou a faixa.

— Então sabe por que foi colocada ali.

— Marcava grão reservado.

— Para uma oferenda.

— Também sei.

Naquela mesma manhã, Agelau exigira uma conversa sem testemunhas. Agora o esperava diante da sala grande, no meio do dia, quando servos, guardas e homens em audiência atravessavam o pátio.

Licaão não precisava perguntar se a mudança fora deliberada.

— Queria falar comigo em particular.

— Queria.

— E agora prefere isto.

Agelau percorreu o pátio com os olhos.

— Prefiro que certas coisas sejam ditas onde possam ser ouvidas.

O servo dos figos retomou o passo.

Licaão o chamou:

— Pare.

O rapaz congelou.

— Deixe a cesta naquele banco e siga seu trabalho.

Ele obedeceu rapidamente.

Os homens de Parrásia trocaram um olhar.

Mélas abandonou a parede.

Licaão desceu o último degrau.

— Se decidiu tornar a conversa pública, ninguém precisa fingir que não escuta. Diga o que quer.

Agelau levantou novamente a faixa.

— Quero que os dois cestos que ainda restam para a oferenda permaneçam reservados até o dia do rito.

— Permanecerão onde estão.

A resposta pareceu pegá-lo desprevenido.

— E não serão tocados novamente?

— Isso não prometo.

A surpresa desapareceu.

— Esta manhã você alterou a libação da casa. Depois retirou cevada que havia sido destinada à oferenda.

— Para alimentar seis famílias.

— Dois cestos, sim. Depois mandou abrir um terceiro sem haver família alguma esperando por ele.

Licaão olhou para a escada.

Níctimo não se moveu.

Agelau soubera.

Talvez pelo responsável do depósito, talvez por Theron, talvez por algum trabalhador que estivera presente. Numa casa daquele tamanho, pouco importava.

— Mandei abrir.

— Por quê?

Licaão poderia ter escolhido uma explicação mais conveniente.

Não escolheu.

— Queria saber o que aconteceria.

Mélas fechou os olhos por um instante.

Agelau segurou a faixa com as duas mãos.

— Então é isso que quer que todos escutem?

— Foi você quem trouxe todos para a conversa.

O homem mais velho de Parrásia começou a estudar as próprias sandálias.

Agelau continuou:

— O grão havia sido separado para uma oferenda. Uma coisa dedicada aos deuses não volta ao uso comum apenas porque o rei resolve experimentar seus limites.

— Duas famílias já comeram parte dela.

— Não estou falando das famílias.

— Ainda bem.

Agelau percebeu a armadilha e corrigiu a direção antes de entrar nela.

— Não mandaria tirar alimento da boca de crianças. O que foi dado a elas permanece com elas.

— Então a distribuição não é o problema.

— O terceiro cesto é.

A resposta atravessou o pátio com muito mais precisão do que Níctimo conseguira no depósito.

Licaão olhou outra vez para o filho.

Dessa vez Níctimo acompanhou alguma coisa no chão entre os degraus.

— O terceiro não alimentou ninguém — disse Agelau. — Não havia dívida urgente, criança esperando nem necessidade que justificasse quebrar a reserva. Você abriu porque queria descobrir se podia.

Licaão não negou.

— Sim.

Houve movimento discreto perto das galerias. Mais gente começava a notar a discussão.

Agelau elevou a voz o bastante para alcançar quem já escutava.

— Então é importante que entendam o que aconteceu.

A irritação de Licaão mudou de natureza.

Até aquele momento, Agelau falara com ele.

Agora falava para o pátio.

— Explique.

Mélas saiu um passo da parede.

— Licaão…

O rei ergueu uma mão, sem se voltar.

Agelau segurava a faixa diante do corpo.

— Esta casa recebeu costumes antes de qualquer homem que hoje vive nela. Recebeu altares, obrigações com hóspedes, mortos, ancestrais e deuses. Um rei decide onde soldados marcham, quanto grão sai de um depósito, onde rebanhos podem passar e como homens respondem por crimes. Não contesto isso.

Fez uma pausa breve.

— Mas aquilo que foi entregue aos deuses não volta a ser uma coisa comum apenas porque o rei deseja descobrir se alguém o impedirá.

Licaão escutou até o fim.

— Continue.

Theron ergueu a cabeça.

Agelau não esperava permissão; ainda assim, usou-a.

— Esta manhã você me perguntou quanto vinho Zeus precisava. Agora entendo que o volume nunca foi sua dúvida. Queria saber até onde podia reduzir o rito antes que alguma coisa o detivesse.

Licaão não respondeu.

— Não encontrou resposta na taça. Então procurou no depósito.

A faixa continuava presa entre os dedos do sacerdote.

Licaão poderia encerrar a cena ali.

Poderia mandar Theron retirar Agelau do pátio, tomar o tecido, ordenar silêncio ou simplesmente entrar na sala e deixá-lo falando sozinho.

Mas os homens de Parrásia estavam assistindo.

Servos haviam parado sob as galerias.

Theron e os guardas ouviam.

Níctimo continuava na escada.

Antes do pôr do sol, qualquer desfecho daquela conversa viajaria para além dos muros.

Agelau escolhera isso.

Licaão decidiu aceitar o terreno.

— Você disse que um rei pode decidir quanto grão sai de um depósito.

— Pode.

— O depósito em questão pertence a esta casa.

— Pertence.

— O grão também.

Agelau percebeu a direção.

— Não depois de separado.

— Quem o separou?

— O responsável pelo depósito.

— Por iniciativa própria?

— Por orientação minha, como parte da preparação da oferenda.

— Então você determinou que fosse separado.

— Para um rito da casa.

— Com cevada da casa.

— Não transforme isso numa disputa de posse.

— Estou tentando entender quando uma ordem sua passa a valer mais que uma ordem minha dentro dos meus depósitos.

Agelau deu um passo adiante.

— Quando aquilo que está em jogo deixa de pertencer apenas ao governo.

— Quem decide quando isso acontece?

— O costume. O rito. Aquilo que recebemos antes de nós.

— Tudo interpretado por você.

— Guardado por mim.

— É diferente?

Agelau ficou calado por um instante.

— Muito.

— Para você.

A audiência crescia. Licaão percebeu duas pessoas junto ao corredor lateral que não tinham motivo algum para estar ali.

Agelau também percebeu, mas não reduziu a voz.

— Você responde pela casa, Licaão. Isso nunca significou que tudo o que existe nela existe porque você permite.

— Respondo pela casa?

— Sim.

— Então nisso concordamos.

— Não tente usar metade da frase como se fosse a frase inteira.

— Escolha melhor as metades.

O homem mais velho de Parrásia tossiu e se arrependeu imediatamente.

Agelau estendeu a faixa.

— Isto dizia que aquele grão havia sido retirado do uso comum.

— E eu mudei o destino de parte dele.

— Não tinha esse direito.

O pátio parou.

Não houve exclamação. Ninguém precisou dizer que uma fronteira acabara de ser atravessada.

Theron se moveu atrás de Licaão.

O rei não olhou.

— Diga de novo.

Agelau perdeu um pouco da cor no rosto.

Mas repetiu:

— O senhor não tinha esse direito.

Theron deu um passo.

— Fique onde está.

O comandante parou imediatamente.

Agelau olhou para ele.

Por uma fração de segundo, Licaão percebeu a expectativa do sacerdote. Talvez não desejasse ser preso. Talvez temesse exatamente isso. Ainda assim, sabia o que a imagem significaria se Theron o agarrasse diante de todos.

Mélas também sabia.

— Venha comigo.

Licaão entrou na sala grande.

Mélas o seguiu.

— Não faça uma estupidez.

A porta ainda não tinha terminado de fechar.

Licaão virou-se.

— Seja específico.

— Não mande Theron fazer aquilo que todos no pátio imaginam que ele fará se você der a ordem.

— Theron não imagina ordens.

— É pago justamente para estar pronto quando chegam.

Licaão caminhou até a mesa. As tábuas da audiência de Parrásia ainda estavam abertas sobre ela.

— Agelau acabou de dizer diante da minha própria casa que não tenho autoridade para decidir sobre meu grão.

— Eu estava perto o bastante para ouvir.

— E sua sugestão?

Mélas aproximou-se.

— Vença a disputa sem transformá-lo em vítima.

Licaão encarou-o.

— Se eu o prender, a conversa termina.

— A conversa sobre cevada termina. Amanhã começará outra sobre o sacerdote preso porque disse ao rei que os deuses também têm direitos.

— Posso expulsá-lo.

— Melhor ainda para ele. Cada altar entre aqui e Tegea receberá Agelau, sua história e provavelmente uma versão mais dramática a cada parada.

— Açoite.

Mélas apoiou as mãos na mesa.

— Aí nem precisa esperar que a história melhore. Sangue faz esse trabalho sozinho.

Licaão permaneceu calado.

Mélas pegou uma das tábuas, percebeu que não precisava dela e a devolveu ao lugar.

— As pessoas esquecem a ordem exata de uma discussão. Lembram de um homem arrastado por soldados. Lembram de sangue nas costas. Se fizer isso agora, amanhã ninguém estará falando sobre quem podia tocar em qual cesto.

— Agelau sabe.

— Talvez.

— Escolheu o pátio justamente por isso.

— Ou escolheu porque falar sozinho com você deixou de produzir qualquer resultado.

Licaão ergueu os olhos.

Mélas não recuou.

— Cuidado.

— Estou tendo muito.

— Não parece.

— É uma das desvantagens de aconselhar você. A cautela nunca parece cautelosa o bastante.

Licaão voltou à mesa.

A raiva continuava ali.

Mas Mélas estava certo.

Se Theron prendesse Agelau, aquela seria a imagem que atravessaria os portões. O debate anterior desapareceria sob ela.

— Ele não pode sair pensando que venceu.

— Então não o deixe sair assim.

— Conselho admirável.

— Tenho outros piores.

Licaão pensou nos quatro cestos.

Dois já tinham sido distribuídos.

Um terceiro fora aberto e fechado.

O quarto permanecia intocado.

— O cesto que abri continua cheio?

— Pelo que sei.

— E ainda pode ser usado na oferenda?

Mélas pensou.

— Essa pergunta convém mais a Agelau.

Licaão caminhou até a porta.

Mélas segurou-lhe o braço por um instante.

— Licaão.

O rei olhou para a mão.

Mélas soltou.

— Não faça dele o homem que sofreu por Zeus.

— Não pretendo.

Licaão abriu a porta.

Agelau continuava no mesmo lugar.

Isso, pelo menos, Licaão respeitou.

O sacerdote poderia ter saído e transformado a pausa numa retirada pública. Não fizera.

Agora havia ainda mais gente no pátio.

Dia estava sob a galeria. Licaão não sabia quando chegara. Níctimo já descera os degraus e permanecia junto a uma coluna.

Theron continuava exatamente onde recebera ordem para ficar.

Licaão atravessou o espaço entre ele e Agelau.

— Quero esclarecer sua posição.

— Já a deixei clara.

— Ainda não o bastante.

Licaão apontou para a faixa.

— Dois cestos foram distribuídos às famílias que estavam sem alimento.

— Sim.

— Você quer que eu mande recolher o que sobrou?

Agelau demorou.

Muito pouco.

Mas demorou.

— Não.

— Por quê?

— Porque aquelas famílias não são responsáveis por esta disputa.

— Então ninguém deve tirar o grão delas.

— Foi o que disse.

Licaão virou-se para Theron.

— Registre os dois cestos como alimento distribuído pela casa. Não serão cobrados agora nem depois.

— Entendido.

O responsável pelo depósito estava próximo ao corredor.

Licaão chamou:

— Ouviu?

— Sim, meu rei.

— Faça constar nos registros.

— Farei.

Voltou-se para Agelau.

— Pronto. Dois cestos que, segundo você, eu não podia tocar agora pertencem definitivamente às famílias.

— Não foi minha palavra que lhes deu o grão.

— Sua palavra acaba de impedir que ele volte.

— Porque punir quem recebeu comida não corrigiria aquilo que você fez.

— Concordamos novamente.

Agelau avançou.

— Está distorcendo—

— Estou usando exatamente o que disse.

— Escolhe apenas a parte que serve.

— Então não fale em público esperando controlar o que cada pessoa levará da conversa.

A frase atingiu.

Agelau ficou quieto.

Os dois homens de Parrásia acompanhavam tudo. Um deles encontrou novamente muito interesse na própria sandália.

Licaão prosseguiu:

— Restam dois cestos. Um foi aberto.

— Contra minha orientação.

— Continua cheio?

— Continua.

— Pode ser usado no rito?

Agelau não respondeu de imediato.

Licaão esperou.

— Pode.

— Minha mão entrou no grão.

— Isso não o torna impróprio.

— A oferenda pode acontecer normalmente com ele?

— Pode.

Licaão deixou a resposta chegar aos que escutavam.

— Então abrir o cesto não estragou a cevada, não impediu o rito e não exige que nada seja descartado.

Agelau percebeu.

— O problema nunca foi a qualidade do grão.

— Eu sei. Estou tornando isso claro.

— O problema foi o motivo pelo qual você abriu.

— Minha intenção.

— Sua decisão de usar o rito como teste.

Licaão aproximou-se.

— Agora estamos falando daquilo que realmente o trouxe aqui.

Agelau olhou para as pessoas ao redor.

Pela primeira vez desde o início da discussão, talvez percebesse as testemunhas como algo além de proteção.

— Um rito não existe para que o rei descubra quanto pode violar antes de sofrer alguma consequência.

— Concordo que não foi criado para isso.

Agelau pareceu surpreso outra vez.

Licaão apontou para os cestos que não podiam ser vistos dali.

— A pergunta é simples. Você consegue realizar a oferenda com o que resta?

— Consigo.

— Então faça quando chegar o dia.

— Se as condições forem respeitadas.

— As condições necessárias ao rito, sim.

— Sou eu quem determina quais são.

— Você me dirá quais são.

Agelau ficou imóvel.

— E depois?

— Eu ouvirei.

— E decidirá quais aceita.

— Sim.

O sacerdote soltou uma risada breve, sem humor.

— Então não conduzo rito algum. Apenas cumpro o que o senhor permite.

— Se acredita nisso, pode se recusar.

Mélas ficou imóvel junto à porta.

Agelau encarou Licaão.

Dessa vez não havia resposta rápida.

Todos no pátio compreenderam alguma parte do que acontecia.

Se Agelau aceitasse conduzir a oferenda, faria isso depois de acusar publicamente o rei de ultrapassar um limite.

Se recusasse, seria o próprio sacerdote quem deixaria a casa sem o rito que afirmava defender.

— Você faria a oferenda sem mim? — perguntou Agelau.

— Não sou sacerdote.

— Então não haveria oferenda.

— Se você se recusar a conduzi-la, não.

— E dirá que a escolha foi minha.

— Porque será.

Agelau olhou para o altar do outro lado do pátio.

Não havia guarda ao seu lado.

Nenhuma porta fechada.

Nenhuma ameaça de prisão.

Licaão sabia exatamente o que Mélas quisera dizer.

Agelau tornava-se perigoso se fosse impedido de falar.

Muito menos se tivesse de escolher o que fazer depois de falar.

O sacerdote voltou-se.

— Quer minha presença, mas não minha autoridade.

— Quero que exerça sua autoridade onde ela é necessária.

— E onde termina?

— Onde começa o governo da casa.

— Sob você, então.

— Nesta casa, sim.

Agelau ficou algum tempo olhando para ele.

Quando falou novamente, a raiva já não dominava cada palavra.

— Seu pai nunca me exigiu isso.

— Meu pai morreu.

— Eu sei.

— Então não o coloque entre nós para governar no meu lugar.

Agelau recebeu a frase sem baixar a cabeça.

— Um dia o senhor também morrerá.

Theron deu meio passo.

Licaão levantou uma mão.

— Continue.

O sacerdote não se intimidou.

— E o homem que vier depois terá de decidir o que recebeu de você, assim como decidiu o que recebeu de seu pai.

A atenção do pátio se deslocou, inevitavelmente, para Níctimo.

Licaão não gostou.

— Deixe meu filho fora desta disputa.

— Foi o senhor quem o levou à oferenda.

— Porque decidi que precisava estar.

— Porque é o herdeiro.

— Sim.

— Então ele já está dentro dela.

Níctimo permaneceu junto à coluna.

Agelau não se virou para ele.

— Uma casa não passa apenas terra, rebanhos, soldados e depósitos. Passa obrigações. Passa coisas que os mortos esperavam dos vivos. Pode me diminuir diante de todos aqui. Pode demonstrar que não tenho força para impedir uma ordem sua. Nunca precisei desta manhã para descobrir isso.

Agelau levantou a faixa.

— Mas não vou dizer que este tecido não significava nada só porque o senhor conseguiu removê-lo.

— Ninguém pediu que dissesse isso.

— Ainda.

Licaão sentiu a resposta subir.

Não a deixou sair.

Agelau atravessou o pátio até o banco onde a cesta de figos havia sido deixada. Pousou a faixa sobre a madeira e alisou-a uma vez.

— Conduzirei a oferenda.

Mélas se mexeu junto à porta.

Agelau voltou-se para Licaão.

— Com o que restou. Porque a casa deve receber o rito. Não porque o senhor tenha demonstrado que eu estava errado.

— Se isso fizer parte da cerimônia, pode dizer diante de todos.

Agelau encarou-o.

Por um instante, pareceu disposto a responder.

Então não respondeu.

Foi a primeira concessão real daquela tarde.

— Não faz parte.

— Então guarde para depois.

Agelau assentiu.

— Guardarei.

Virou-se.

Theron saiu do caminho.

O sacerdote passou sem olhar para ele.

Ao alcançar a passagem que levava ao altar, parou.

Licaão imaginou que ainda diria alguma coisa.

Agelau apenas indicou o banco.

— A faixa fica.

E foi embora.

Durante alguns instantes, ninguém pareceu saber o que fazer com o silêncio que restara.

Licaão olhou para o pedaço de tecido.

Depois se voltou para os homens de Parrásia.

— Vieram tratar da passagem dos rebanhos.

O mais velho demorou um pouco.

— Sim, meu rei.

— Entrem.

O homem olhou para o corredor por onde Agelau desaparecera.

— Agora?

— Se quiser esperar até amanhã, pode voltar para casa e subir a montanha de novo.

— Agora está bom.

— Imaginei.

Licaão entrou na sala grande.

Os homens o seguiram.

Mélas veio por último.

Antes de passar pela porta, olhou para a faixa sobre o banco.

Licaão percebeu.

— Diga.

— Não disse nada.

— Está prestes.

Mélas esperou até os dois homens de Parrásia chegarem à mesa.

— Você não o prendeu.

— Não.

— Também não o expulsou.

— Não.

— E conseguiu que ele prometesse conduzir a oferenda.

— Consegui.

Mélas passou os dedos pela barba.

— Imagino que esteja satisfeito.

Licaão olhou para o pátio.

Os servos começavam a circular outra vez. Theron conversava com um dos guardas. Dia já não estava na galeria.

Níctimo continuava junto à coluna.

— Deveria estar?

— Eu me preocuparia se não estivesse.

— Então está tudo bem.

— Foi exatamente o contrário do que eu disse.

Licaão lançou-lhe um olhar.

Mélas entrou na sala.

Níctimo finalmente deixou a coluna.

Por um instante, Licaão esperou que o filho viesse até ele.

O rapaz tomou o corredor por onde Dia desaparecera.

Licaão acompanhou-o com os olhos até perdê-lo de vista.

Depois fechou parte da porta e caminhou até a mesa.

Os homens de Parrásia já estavam esperando.

— Vamos resolver o problema de vocês.

O mais velho abriu a primeira tábua.

Do outro lado da porta, a faixa de Agelau continuava sobre o banco.

Ninguém a recolheu.

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