Pesquisa Discord Conta Estante de livros Pular: Comentários
Sair
O Último Trem da Meia-NoiteCAP. 1916 MIN

A sombra parou nos pés de Helena.

O corpo ainda não havia chegado.

Por alguns segundos, foi possível acreditar que aquilo era tudo: uma mancha comprida, lançada de um lugar sem lâmpada, fina junto à imagem de Daniel e cada vez mais larga à medida que atravessava o chão do vagão. A ponta tocava a bota de Helena como água escura procurando uma fresta.

Então a bota afundou meio centímetro.

Helena não recuou. Os dedos dela, apoiados sobre a capa do manual, se abriram até a palma ficar inteira contra o couro. Uma página tentou virar sob sua mão. O papel enrugou primeiro; só depois veio o movimento que deveria ter provocado a dobra.

Na visão, Daniel continuava entre Gabriel e Lívia. O irmão vivo à esquerda. A filha sólida à direita. A outra mão dele estendida para alguém que ainda não existia na imagem.

Lívia disse não outra vez.

Desta vez, não havia força na palavra. Apenas ar.

A quarta sombra subiu pela lateral da bota de Helena. Não como uma sombra subiria por um corpo, acompanhando o tecido, mas deixando sinais antes de alcançá-los: a costura do casaco escureceu; os botões perderam o brilho; uma dobra fria apareceu na altura do joelho. Só então a mancha tocou cada ponto.

César deslocou o peso para a perna menos ferida. A sola rangeu depois que ele já havia parado.

— Não apareceu inteira — repetiu, olhando para Lívia. — Foi isso?

Ela mantinha os braços abertos diante da janela, embora já não bloqueasse nada. A visão crescera para os lados e ocupava quase toda a parede. As costuras claras que atravessavam o casaco da garota pulsavam no ritmo de alguma coisa que não era o coração dela.

Daniel viu a mão de Lívia fechar-se sobre o vazio. O gesto era o mesmo da cozinha, quando pedira que ele não soltasse. O polegar escondido entre os outros dedos. As unhas pressionando a própria palma.

— Sai daí — ele disse.

Ela não se moveu.

— Lívia.

A versão de duas sombras, dentro do vidro, virou o rosto para Helena. A Helena real continuava agachada junto à mala, imóvel demais. A outra apareceu aos poucos na luz branca: primeiro o vinco de sua manga, depois a marca úmida deixada pelo joelho no chão, por último o contorno do corpo.

Estava caída.

O som chegou antes de a imagem se completar. Um impacto abafado, carne contra metal. Em seguida veio uma respiração curta, interrompida no meio, e o ruído leve de alguma coisa pequena rolando para longe.

O bilhete de Helena.

Na visão, o papel saiu dos dedos dela e deslizou de costas pelo piso. As palavras atravessaram a superfície antes que ele virasse: HELENA DUARTE, 4 DE SETEMBRO DE 2023. A data se partiu em duas ao passar por uma faixa de luz.

Helena tirou a mão do manual.

A marca de sua palma ficou na capa antes de desaparecer devagar.

— Mostra o rosto — disse ela.

Não falou com Lívia. Falou com a janela.

A visão obedeceu.

O corpo caído ganhou peso. O casaco amarrado à cintura apareceu aberto no chão; uma das mangas estava presa sob as costas. Havia uma mancha escura abaixo das costelas, larga demais para ser o ferimento antigo da cozinha. O sangue corria para cima pela camisa, voltando ao ponto de onde ainda não saíra.

Helena se levantou sem usar a mala como apoio. O joelho falhou no último instante e bateu contra o fecho de metal. Ela não olhou para baixo.

Na imagem, Daniel se ajoelhava ao lado dela. A mão que antes estivera estendida para fora do quadro agora pressionava o ferimento. Gabriel avançou, vivo. Lívia também. Os dois existiam.

A cada respiração que Helena perdia, os contornos deles ficavam mais nítidos.

Não era preciso dizer.

Mesmo assim, César murmurou:

— Alguém ocupa o lugar.

Daniel virou o rosto para ele. César ergueu uma mão, não em rendição; apenas interrompeu o resto da frase antes que saísse. A etiqueta ensanguentada com o próprio nome pendia de seu punho. Pela primeira vez desde que recuperara força para ficar em pé, ele pareceu menor que a sombra projetada atrás de si.

Helena caminhou até a visão.

Não havia pressa em seus passos. A antecipação do vagão, porém, produzia marcas à frente dela: pequenas depressões no carpete surgiam antes da sola; a película preta das janelas recebia o calor de seus dedos quando a mão ainda estava junto ao corpo.

Lívia saiu do caminho.

O espaço que deixou não foi suficiente. Helena passou tão perto que o ombro das duas quase se tocou, mas não houve contato. O quase ficou entre elas como uma coisa física.

Helena examinou a mulher caída. O olhar demorou no sangue, na posição do braço, no ângulo da cabeça. A precisão retornou por hábito, organizando o que não podia consertar: o ferimento entrava abaixo da última costela; a roupa se colava ao abdômen; a mão de Daniel comprimira o lugar errado por poucos centímetros. O corpo na imagem aspirou uma vez. A resposta do peito veio tarde.

Helena levou dois dedos ao próprio lado, sobre a área intacta.

Quando os retirou, havia sangue nas pontas.

Ela os encarou.

O vermelho sumiu antes que Daniel chegasse perto.

— Você viu isso — disse Helena.

Lívia baixou os braços. Uma das mangas do casaco demorou a acompanhar e permaneceu suspensa por um segundo, como se ainda bloqueasse a janela.

— Eu vi… pedaços.

— Quanto?

A pergunta foi baixa. Quase a mesma que César fizera. Na boca de Helena, não procurava uma estimativa.

Lívia olhou para Daniel.

Ele não a ajudou. O relógio de Gabriel estava apertado contra o pulso, e Daniel girava a coroa com a unha sem perceber. Uma volta. Meia volta de volta. O ponteiro não se mexia.

— Eu não sabia como acontecia.

— Não perguntei como.

Helena tocou o vidro. A ponta do indicador encontrou a própria testa na imagem. No contato, recebeu uma impressão que não lhe pertencia ainda: gosto de ferro, luz branca acima dos olhos, três vozes chamando ao mesmo tempo. Retirou a mão com tanta rapidez que a unha riscou a película.

O risco surgiu depois.

— Há quanto tempo você sabia que era eu?

— Eu não sabia que era você até… — Lívia olhou para a sombra presa aos pés de Helena. — Até aqui. Antes era alguém. Uma pessoa fora da imagem.

— Mas era uma pessoa.

Lívia engoliu em seco. O movimento tremeu primeiro na sombra dela e só depois passou pela garganta.

— Era.

O vagão pareceu diminuir ao redor da palavra.

As janelas das duas primeiras possibilidades continuavam abertas nas extremidades da parede. Num lado, Gabriel fechava a caixa de ferramentas enquanto os últimos vestígios de Lívia envelheciam no chão. No outro, a Lívia mais velha atravessava o apartamento e deixava a mão por um segundo no ombro do pai, com a cadeira de Gabriel vazia à mesa. Entre as duas, a terceira imagem mantinha Helena no chão e os outros três vivos.

Três futuros. Nenhum silencioso.

Da primeira casa vinha o riso de Gabriel, inteiro demais para Daniel guardar. Do apartamento, o barulho de lápis sobre contas e uma discussão sobre leite. Da imagem central, a respiração de Helena terminava repetidamente antes do último sopro.

— Desliga isso — Daniel disse.

Lívia virou-se para a terceira versão de si mesma. Tentou encostar a mão no vidro, mas sua sombra se recusou a aproximar. Ficou presa atrás dos calcanhares.

— Eu não sei como.

— Você abriu.

— Não fui eu.

— Você sabia que existia.

Daniel percebeu que ele próprio repetira a acusação de Helena. Parou. A coroa do relógio deixou uma meia-lua funda sob sua unha.

Lívia olhou para a marca. Por um instante, pareceu prestes a dizer pai. A boca formou o começo e desistiu.

— Eu só queria tempo.

César soltou uma risada sem humor. O som chegou rouco e incompleto.

— Tempo para quê? Para a gente entrar nessa sem ver quem fica no chão?

Helena ergueu a mão. César se calou, mais por surpresa do que por obediência.

— Não faça isso por mim — ela disse.

Ele franziu a testa.

— Eu não estou fazendo por você.

— Eu sei.

Helena continuou de costas para todos. O reflexo mostrava seu rosto duas vezes: vivo na película, imóvel na visão. Entre um e outro, a sombra cortava sua boca.

— Você queria que seu pai visse primeiro os dois juntos — disse ela a Lívia. — Gabriel vivo. Você viva.

Lívia puxou ar. Não respondeu.

— Queria que parecesse possível antes de aparecer o resto.

— Eu não fiz a visão mostrar nessa ordem.

— Mas tentou impedir que víssemos a última.

— Porque eu estava com medo!

O grito percorreu o vagão ao contrário. As lâmpadas explodiram em claridade antes de vibrarem; o manual bateu fechado antes que a corrente de ar alcançasse suas páginas. Na primeira janela, o tênis vazio de Lívia tornou-se novo por um segundo. Na segunda, o relógio de Gabriel retomou dois tiques e parou outra vez.

Daniel avançou meio passo. Lívia percebeu e se encolheu, não dele, mas da possibilidade de que ele viesse protegê-la. Afastou-se antes que isso acontecesse.

— Eu estava com medo — repetiu, mais baixo. — Eu vi ele vivo. Vi eu… eu estava lá. Eu segurei a mão dele. Só depois apareceu alguém caído. Nem tinha rosto. Eu pensei que podia ser outra coisa. Que podia mudar quando chegássemos aqui.

Helena enfim se virou.

Não havia raiva limpa em seu rosto. Um músculo saltava junto à mandíbula; a boca permanecia firme, mas um dos olhos lacrimejava sem que ela piscasse. A mão direita conservava a posição de quem comprime uma gaze invisível contra o próprio lado.

— E, enquanto podia ser qualquer pessoa, você aceitou.

— Não.

A resposta saiu depressa demais.

Helena esperou.

Lívia procurou Daniel outra vez. Ele estava perto o bastante para alcançar o casaco dela, longe demais para que o gesto fosse natural. Não se moveu. A distância de um braço permaneceu entre os dois.

— Eu não aceitei — disse Lívia. — Eu não escolhi ninguém.

— Ficou em silêncio.

As palavras não vieram como golpe. Helena quase as perdeu no ruído das rodas, que voltara sob o piso com um compasso irregular.

Lívia abriu a boca, mas Helena já olhava para outra coisa: não para a garota, e sim para o próprio bilhete amarrado junto ao casaco. O papel manchado de sangue. A data dobrada até as letras sumirem. Por trás da visão, uma porta de hospital piscou e desapareceu.

O deputado Álvaro Nunes surgiu apenas como uma mão com aliança sobre um lençol branco. Em outro canto, uma pulseira infantil trazia MARINA LOPES. Entre as duas, a Helena mais jovem permanecia junto ao telefone, ouvindo uma voz que o vagão não reproduziu.

Sua resposta também não veio.

O silêncio de quinze anos atrás entrou na terceira visão como uma corrente fria. Helena fechou os olhos por um instante. Quando abriu, não havia mais precisão que a protegesse.

— Disseram que uma sala precisava ficar disponível — falou. — Eu conferi os exames. Pedi mais cinco minutos. Depois… deixei que levassem a criança.

Ninguém respondeu.

Ela não olhou para César, embora o ferimento dele tivesse vindo daquela mesma menina. Não olhou para Daniel. A lembrança no vidro mostrou a jovem médica abrindo a boca quando o administrador passou; nenhuma palavra saiu. A porta fechou antes que a mão dele tocasse a maçaneta.

— Eu não mandei desligar nada — continuou Helena. A voz falhou numa sílaba e ela recomeçou sem corrigi-la. — Não assinei uma ordem para Marina morrer. Só não disse não quando ainda adiantava.

Lívia pressionou as costas contra a janela. As costuras de luz em seu casaco se desfizeram uma a uma.

— Não é a mesma coisa.

Helena inclinou a cabeça, muito pouco.

— Não?

— Eu tenho quatorze anos.

— Eu sei.

— Eu não sou médica. Eu não sabia quem era. Eu não sabia se era real.

— E agora sabe.

Lívia esfregou a palma na lateral da calça. Quando mostrou a mão, quatro crescentes vermelhos marcavam a pele onde as unhas haviam entrado.

— Eu ia contar.

César mudou de posição junto ao banco. A dor o fez respirar pelos dentes, mas ele não interferiu. Talvez porque reconhecesse a frase. Talvez porque já a tivesse usado em lugares que nenhum deles conhecia.

Helena deu um passo para perto.

Lívia permaneceu onde estava.

— Quando?

— Quando eu entendesse.

— Depois de Daniel querer essa possibilidade o bastante para não conseguir olhar para mim?

Daniel ergueu o rosto.

— Helena…

Ela não o deixou terminar.

— Você viu Gabriel vivo. Viu sua filha viva. Eu vi também. Não precisa fingir que não quis.

Ele tentou responder. O olhar caiu na imagem do irmão, na caixa de ferramentas, no relógio em seu pulso. Depois foi para Lívia, ainda sólida à direita. A mão dele apertou o próprio relógio até a pulseira ranger.

— Eu não escolhi.

— Ainda não — Lívia disse, num reflexo.

A palavra feriu o silêncio.

Ela fechou os olhos assim que a ouviu na própria voz. Era a mesma resposta dada a Daniel quando ele negara ter uma filha. Antes, escondia o futuro. Agora, deixava aberta uma morte.

Helena absorveu o golpe sem mover o rosto. Apenas descruzou os dedos que mantinha sobre o lado do corpo.

— É assim que começa — disse. — Você chama de ainda. Pede mais tempo. Espera que alguma coisa decida antes de você precisar falar.

Lívia sacudiu a cabeça. O cabelo entrou na boca; ela o afastou com um sopro curto, o mesmo gesto que Daniel reconhecera na criança da cozinha. Desta vez, ele não encontrou ternura nele. Só idade. Quatorze anos e uma escolha grande demais, escondida atrás dos dentes.

— Eu não queria que ninguém morresse.

— Eu também não.

A resposta de Helena foi imediata. Crua.

A visão central clareou. O corpo de Helena no chão perdeu cor, e a perda alimentou o restante da cena: o sangue empalideceu enquanto as faces de Gabriel e Lívia ganhavam detalhes; a mão morta relaxou enquanto os dedos dos dois se fechavam nos de Daniel. Um relógio futuro começou a funcionar antes de receber corda.

Helena apontou para a imagem, mas o dedo não chegou a se erguer por completo.

— Você não está tentando salvar todo mundo. Está apenas escolhendo outra pessoa para morrer no seu lugar.

Lívia recebeu a frase sem defesa.

Seu queixo tremeu uma vez. Ela mordeu o interior da bochecha, e uma gota de sangue apareceu no canto da boca antes da mordida. Limpou-a com as costas da mão. A mancha permaneceu no ar, suspensa onde seu rosto estivera.

— Eu não sabia que era você — repetiu.

— Esse não é o ponto.

— Para mim era.

A sinceridade saiu feia, infantil, e Lívia pareceu se assustar com ela. Daniel viu o momento em que quis retirar as palavras. Não havia como.

— Se não tinha rosto… — continuou a garota, olhando para o piso. — Se era só uma sombra, eu conseguia pensar que talvez não fosse ninguém. Que o trem estava mostrando errado. Depois apareceu você.

Helena respirou fundo, mas o ar parou antes de encher os pulmões. Na visão, seu corpo respirou por ela uma última vez.

— Uma pessoa sem rosto continua sendo uma pessoa.

— Eu sei.

— Agora.

Lívia assentiu.

Não pediu desculpas. A palavra teria sido pequena demais, e talvez ela soubesse.

Daniel soltou a coroa do relógio. O polegar apresentava um sulco branco. Ele olhou primeiro para Helena, depois para Lívia, mas qualquer frase parecia escolher um lado antes da hora.

— A visão não é uma decisão — disse por fim.

— Não — Helena respondeu. — Mas esconder uma parte dela foi.

O trem acelerou.

As três possibilidades estremeceram sem se desfazer. Na primeira, Gabriel abriu a porta da casa e a luz atravessou o lugar onde Lívia deveria estar. Na segunda, a garota mais velha recolheu a lanterna da cadeira vazia e apagou a cozinha. Na terceira, Daniel continuava ajoelhado entre o irmão, a filha e Helena caída, incapaz de usar as duas mãos para todos.

César aproximou-se da mala e apanhou o manual. O couro resistiu aos dedos; quando ele conseguiu abri-lo, as páginas já estavam numa passagem marcada por duas linhas que entravam juntas e uma que saía sozinha. As letras se reorganizaram antes que ele inclinasse o caderno.

— Não tem saída sem preço — disse.

Helena tomou o manual de sua mão e o fechou.

— Isso não dá a você o direito de apressar o pagamento.

César quase respondeu com uma provocação. O canto da boca se moveu, não encontrou nada e morreu ali. Ele se sentou no banco, protegendo o ferimento com o antebraço.

Lívia permaneceu diante de Helena. Parecia menor sem a janela escondida atrás do corpo.

— Eu achei que, se mostrasse os dois primeiros, ele entenderia — disse.

Daniel perguntou:

— Entenderia o quê?

Ela demorou.

— Que não dava para escolher.

— E depois?

— Depois eu mostraria que talvez desse.

Helena soltou um som baixo, não uma risada.

— Sem dizer quem desaparecia da fotografia.

Lívia não respondeu.

O corpo de Helena na visão começou a perder as bordas. Por um segundo, surgiu uma esperança absurda de que desapareceria. Mas não. As bordas não sumiam: passavam para Lívia e Gabriel, reforçando-os. Um contorno a menos na mulher caída tornava mais nítida a cicatriz no queixo da garota. Outro dava cor aos olhos de Gabriel.

Helena assistiu à troca.

Seus dedos procuraram o fecho do casaco amarrado à cintura e erraram duas vezes. Na terceira, encontraram o metal. Ela o abriu, retirou o bilhete e alisou o papel contra a coxa. As palavras apagadas pela dobra não retornaram.

— Não vou dizer que aceito — falou.

Lívia levantou os olhos.

— Eu não pedi.

— Pediu sem falar.

A garota se retraiu como se Helena tivesse tocado o ferimento exato.

Daniel colocou-se entre as duas, não para separá-las, mas porque a terceira visão o puxava para o lugar que sua versão futura ocupava. Sua sombra chegou antes e encaixou-se no espaço central. À esquerda, Gabriel. À direita, Lívia. Diante dele, Helena.

A composição ficou completa.

Nenhum deles se moveu.

Lá fora — se ainda existia um lado de fora — alguma coisa branca correu além das janelas. As rodas produziram três ritmos diferentes. Um para cada futuro.

Lívia olhou a mão de Daniel vazia entre eles. Não tentou segurá-la.

Helena manteve o bilhete aberto sobre a palma. Não o ofereceu.

César observava a porta que ainda não aparecera, procurando uma passagem onde só havia escolhas.

Na imagem, o sangue continuou subindo de volta para o corpo de Helena. Gabriel respirava. Lívia respirava. Helena não.

O vagão conservou as três possibilidades acesas.

Esperando.

Na Shopee

Itens de O Último Trem da Meia-Noite

Publicidade • links de afiliado
Oferta

Óculos De Sol Com Fone De Ouvido Bluetooth | Envio Imediato

JaboTech BrasilR$ 39,90Ver na Shopee
Oferta

Fone De Ouvido Bluetooth Sem Fio Air DotsPro 2 com Display E6S 5.1 Tws Microfone Academia Preto.

TerceiroTecR$ 29,97Ver na Shopee
Oferta

FONE DE OUVIDO BLUETOOTH RECARREGÁVEL ESTOJO PREMIUM

DOSE DE AMOR.R$ 29,87Ver na Shopee
Oferta

fone de ouvido bluetooth com cancelamento de ruido, Bluetooth 5.0 Para Android e IOS

Tech OtoniR$ 22,99Ver na Shopee

Os preços podem variar conforme cupons, Pix, promoções e variações do produto.

SUA OPINIÃO

O que você achou deste capítulo?

REGRAS DOS COMENTÁRIOS

— Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.

— Evite spoilers do capítulo ou da história.

— Comentários ofensivos serão removidos.

Use os comentários para conversar sobre a leitura sem estragar a experiência de quem ainda está acompanhando.
CONVERSA

Nota
NOVERA

Biblioteca offline

0 capítulos
Preparando offline…