CAPÍTULO 24: Gazef Stronoff e a Armadilha da Teocracia
por Sonhado acordadoA resposta de Albedo soou muito tensa. Não deveria haver razão para ela estar tão atiçada em um lugar inofensivo como o vilarejo.
Nesse caso, havia apenas uma razão que ele poderia pensar para Albedo ser assim. Ainz calmamente perguntou para Albedo:
“…Você odeia humanos?”
“Eu os detesto. Os seres humanos são formas de vida fracas e inferiores. Eles ficariam tão bonitos se eu os esmagasse como insetos…”
As palavras de Albedo eram tão doces quanto mel, mas seu significado era tão amargo quanto o fel.
Ainz sentiu que essas palavras não se encaixavam na beleza de deusa benigna de Albedo. Portanto, ele disse:
“Entendo… eu sei como se sente. Mas ainda assim, espero que possa se controlar por enquanto, pois temos que passar uma boa impressão.”
Albedo assentiu energicamente. Quando Ainz olhou para ela, começou a se sentir frustrado.
Seus gostos ou desgostos não seriam um problema por enquanto, mas no que tange o futuro, aí já era um assunto diferente.
Entender seus subordinados era uma habilidade importante que ele tinha que dominar.
Depois que Ainz percebeu isso, ele começou a procurar pelo Chefe do Vilarejo. Era uma maneira básica de se despedir de alguém antes de sair.
Ele encontrou o Chefe quase imediatamente, conversando com alguns dos aldeões. Ele tinha um olhar preocupado no rosto, mas não parecia normal. De fato, ele parecia estar bem abalado.
E agora… o que aconteceu?
Ainz resistiu à vontade de fazer um “Tch” e se aproximou do chefe. Afinal, ele os salvara uma vez; isso significava que eles eram sua responsabilidade.
“…O que há de errado, Chefe-dono?”
O rosto do Chefe se iluminou, como se tivesse vislumbrado um fio dourado de esperança.
“Oh, Ainz-sama. Avistaram uma pequena cavalaria vindo pra cá, parecem ser guerreiros…”
“Entendo…”
O Chefe e os outros cidadãos vizinhos olharam para Ainz com expressões preocupadas em seus rostos.
Ainz gentilmente levantou a mão quando viu isso, o que encheu a todos de alívio quando ele disse:
“Deixem isso comigo. Reúna todos os sobreviventes na casa do Chefe do Vilarejo agora mesmo. O Chefe e eu ficaremos aqui.”
Um sino tocou e os aldeões se reuniram. O Death Knight tomou uma posição perto da casa do Chefe, enquanto Albedo permaneceu atrás dele, aguardando ordens.
A fim de dissipar o desconforto do Chefe, Ainz alegremente disse:
“Por favor, relaxe. Eu vou fazer uma exceção e lidar com isso de graça.”
O Chefe parou de tremer e sorriu amargamente. Talvez ele tivesse se preparado para correr esse risco.
Depois de um tempo, eles finalmente avistaram muitos guerreiros vindo a galope ao longo da estrada que servia o vilarejo. Os cavaleiros entraram lentamente na praça.
“…Eles não estão uniformemente equipados, e cada um deles é equipado de forma diferente… não são tropas regulares?”
Ainz murmurou enquanto observava os homens e seus equipamentos de guerra.
Os cavaleiros de antes possuíam couraças com os símbolos do Império Baharuth, e eles estavam fortemente equipados, cada um da mesma maneira. Esses homens também usavam armadura, mas seus equipamentos variavam entre si. Alguns usavam armaduras de couro e alguns não tinham suas armaduras de placas, expondo a cota de malha por baixo.
Alguns deles usavam elmos, enquanto outros não. A única coisa que eles tinham em comum eram expressões sérias estampadas em seus rostos. Todos eles tinham espadas parecidas, mas, além disso, também carregavam arcos, lanças, maças e outras armas como reserva.
Pode-se dizer que eles pareciam veteranos forjados no campo de batalha. Uma maneira menos educada, seria dizer que eles eram um bando desarranjado de mercenários.
Os cavaleiros montados finalmente entraram na praça. Havia cerca de 20 deles, e enquanto cautelosos com o Death Knight, eles entraram em formação diante de Ainz e do Chefe do Vilarejo. Um homem se destacou do pelotão e avançou.
Parecia ser o líder dos cavaleiros. Dentre todos, era o que parecia ser o mais feroz, sua beleza rústica o destacava dos outros.
Os olhos do líder repousaram brevemente sobre o Chefe do Vilarejo antes de fitarem o Death Knight, então se virou para Albedo. Ele ficou muito tempo olhando para ela. No entanto, uma vez que se certificou de que nenhum deles se moveria, ele imediatamente voltou seu olhar atento para Ainz.
Embora o homem que olhava para ele parecesse ser do tipo que ganhava a vida com violência, Ainz permaneceu imóvel. Um olhar como esse não poderia ter esperança de levantar nenhuma ondulação no lago tranquilo que era o coração de Ainz.
Não foi porque Ainz não temia aqueles olhos, mas por causa de seu corpo de undead. Talvez ele estivesse cheio de confiança, porque poderia usar seus poderes de YGGDRASIL.
Uma vez satisfeito, o líder falou em tom grave:
“—Eu sou o Capitão Guerreiro do Reino Re-Estize, Gazef Stronoff. Por ordem do Rei, tenho visitado cada um dos vilarejos fronteiriços para exterminar cavaleiros de países inimigos que vêm causando problemas aqui.”
Seu barítono regular ecoou pela praça, e houve alguma comoção na casa do chefe atrás de Ainz.
“Capitão Guerreiro do Reino…”
Ninguém vai me dizer o que está acontecendo?
Ainz pensou enquanto falava com o Chefe, sua voz carregava um tom de repreensão:
“…Que tipo de homem ele é?”
“De acordo com os comerciantes, ele é o homem que reivindicou o campeonato do torneio de Artes Marciais realizado há algum tempo, e agora ele lidera os guerreiros de elite que são leais ao Rei.”
“O homem diante de nós é realmente tão incrível…?”
“…Eu não sei. Tudo o que ouvi foram histórias.”
Ainz olhou de perto, e viu que cada um dos cavaleiros tinham os mesmos emblemas em seus peitos, o que lembrava o que o Chefe dissera sobre os emblemas do Reino. Dito isso, ele não tinha informação confiável suficiente para ter certeza.
Gazef olhou para o Chefe e disse:
“—O senhor deve ser o chefe desse vilarejo. Pode me dizer quem é a pessoa ao seu lado?”
Ainz interrompeu o Chefe, que estava prestes a responder, acenou para Gazef e se apresentou.
“Não há necessidade disso. Prazer em conhecê-lo, Capitão Guerreiro-dono do Reino. Meu nome é Ainz Ooal Gown, e eu sou um Magic Caster. Este vilarejo foi atacado por cavaleiros, então vim para resgatá-los.”
Gazef imediatamente desmontou de seu cavalo, sua armadura tremeu ruidosamente ao tirar os pés da sela. Ele se curvou profundamente assim que desceu.
“Obrigado por salvar o vilarejo. Não tenho palavras que possam agradecer adequadamente sua gentileza.”
O ar parecia tremer.
O Capitão Guerreiro era um homem de uma classe privilegiada da sociedade. Era bastante chocante que tal homem se curvasse diante de um desconhecido como Ainz, ainda mais neste mundo, onde as pessoas estavam tão claramente divididas por classes. Pelo que ouvira, o conceito de direitos humanos era quase inexistente neste país — não, neste mundo. Há apenas alguns anos que o tráfico de escravos havia se tornado ilegal.
Poder-se-ia dizer a persona de Gazef pelo modo como ele estava pronto para desmontar e curvar-se a Ainz apesar de sua diferença de status.
Este homem é definitivamente digno de ser um Capitão Guerreiro do Reino, concluiu Ainz.
“…Por favor pare, isso não é necessário. Na verdade, eu o fiz mediante a um pagamento, não é preciso agradecer.”
“Oh, um pagamento. Isso significa que é um aventureiro?”
“Isso está quase correto.”
“Entendo. Então deve ser um aventureiro extraordinário. Perdoe minha ignorância, mas não ouvi seu poderoso nome antes, Gown-dono.”
“Eu estava viajando, meus caminhos se cruzaram com esse vilarejo. Não sou ninguém famoso.”
“…Viajando, então. Eu lamento por ter que desperdiçar seu tempo, mas poderia me dizer sobre os cavaleiros que atacaram esse vilarejo?”
“Seria uma honra, Capitão Guerreiro-dono. A maioria dos cavaleiros que atacaram este vilarejo já estão mortos, então eles não serão capazes de criar problemas por enquanto. Devo continuar?”
“…Mortos… Gown-dono, o senhor os abateu?”
Depois de ouvir a maneira como Gazef se dirigiu a ele, Ainz percebeu que os nomes neste mundo eram no estilo ocidental, não japonês — com o nome vindo antes do sobrenome. Agora ele entendia por que o chefe do vilarejo o olhou de maneira estranha ao pedir que o chamasse de “Ainz”. Era compreensível, afinal, tratava-se de um desconhecido pedindo para ser chamado de maneira tão incomum.
Depois de perceber seu erro, Ainz usou a humildade de um assalariado que outrora fôra e respondeu:
“…Bem, isso não é totalmente preciso…”
Gazef percebeu a insinuação no tom de Ainz e voltou os olhos para o Death Knight. Ele deve ter sentido o cheiro amortecido de sangue e morte que emanava daquela coisa.
“Eu tenho algumas perguntas… posso saber quem é aquele ali?”
“Ele é um servo que eu criei.”
Gazef murmurou em aprovação e depois olhou Ainz de cima a baixo com um olhar penetrante.
“Então… qual o motivo da máscara?”
“Eu uso por razões conhecidas apenas por um Magic Caster.”
“Poderia removê-la?”
“Infelizmente, devo recusar.”
Disse Ainz, apontando para o Death Knight.
“Não seria bom se eu perdesse o controle dele.”
Um olhar de pânico cruzou a face do Chefe e suspiros vieram dos aldeões escondidos dentro da casa do Chefe. Talvez ele tenha percebido a mudança no ar e visto o olhar no rosto do Chefe, mas Gazef assentiu profundamente e disse:
“Entendo. Então, é melhor não tirar.”
“Obrigado.”
“Então—”
“Antes disso, eu tenho um pedido que pode não gostar de ouvir. Este vilarejo foi recentemente atacado por cavaleiros do Império, e se os senhores trouxessem suas armas, isso poderia desencadear memórias desagradáveis nos aldeões. Posso pedir-lhe para deixar suas armas em um canto da praça? Isso deixaria as pessoas mais tranquilas.”
“…Faz sentido, Gown-dono. Mas é que esta espada me foi dada pelo Rei. Não posso abandoná-la sem permissão expressa.”
“—Ainz-sama, vamos ficar bem.”
“Se assim diz, Chefe-dono… então, por favor, perdoe meu pedido irracional, Capitão Guerreiro-dono.”
“Não, eu vejo a lógica em seu pensamento, Gown-dono. Se esta espada não tivesse sido pessoalmente concedida a mim pelo Rei, eu ficaria feliz em deixá-la de lado. Então, poderíamos nos sentar e discutir os detalhes? Além disso, o céu está ficando escuro e gostaríamos de descansar neste vilarejo durante a noite…”
“Compreendo. Então, vamos voltar para minha casa juntos—”
No meio da resposta do Chefe, um dos cavaleiros veio correndo em direção a praça. Ele estava ofegante e tinha um relatório urgente. Em uma voz estridente, o cavaleiro disse:
“Capitão Guerreiro! Nós avistamos muitos cavaleiros nas redondezas! Eles cercaram o vilarejo e estão se aproximando!”
Parte 3
“Atenção, hora de agir.”
Uma voz calma falou aos ouvidos de todos.
“A presa entrou na gaiola.”
O orador era um homem.
Ele não tinha características distintivas e não se destacava na multidão. No entanto, não havia emoção em suas escleras escurecidas e aparentemente havia uma cicatriz em seu rosto.
“Ofereçam vossa fé aos deuses.”
Todos começaram suas preces silenciosas, uma versão abreviada de suas orações habituais.
Eles precisavam dedicar tempo à oração, mesmo quando atuavam em outro país. Isso não era um sinal de complacência, mas sim um símbolo de sua fé em seus deuses.
Esses homens que ofereciam tudo à Teocracia Slane e aos deuses que eles reverenciavam, eram muito mais devotos do que o cidadão comum da Teocracia. Era por isso que eles podiam realizar atos cruéis sem a menor hesitação, e o porquê não sentiam culpa por fazê-lo.
Depois de suas orações, os olhos de todos os homens presentes eram tão duros e frios quanto o vidro.
“Começar.”
Com uma única palavra, eles cercaram o vilarejo de uma maneira que demonstrava o treinamento intensivo pelo qual passaram.
♦♦♦
Esses homens pertenciam ao grupo de operações secretas da Teocracia Slane. Embora sua reputação fosse difundida, pouco se sabia sobre seus membros. Eles pertenciam a uma das Seis Escrituras que respondiam diretamente aos Cardeais da Teocracia Slane.
Eles são a Escritura da Luz Solar, cuja missão era exterminar os assentamentos demi-humanos.
No entanto, havia poucos desses homens, dentro das Seis Escrituras, eles eram os mais fervorosos em combate. Havia apenas cerca de 100 deles no total.
Isso porque os padrões de recrutamento para a Escritura da Luz Solar eram muito rigorosos.
A entrada exigia a habilidade de conjurar magias divinas de 3º nível, que era o mais alto nível de magia que os magic casters podiam alcançar. Além disso, os futuros recrutas precisavam estar em excelente condição física e tinham que possuir determinação imutável e fé profunda.
Em outras palavras, eles eram a elite dentre outros combatentes de elite.
O homem suspirou silenciosamente enquanto observava seus homens se dispersarem.
Uma vez que eles se dispersaram para assumir suas posições, seria muito difícil ter certeza de seus movimentos. No entanto, ele não estava preocupado com o cerco habilidoso ao vilarejo.
O comandante da Escritura da Luz Solar, Nigun Grid Luin, só sentiu a paz de espírito com o pensamento de que o sucesso estava ao alcance de sua mão.
Os fiéis da Escritura da Luz Solar não estavam acostumados em operações clandestinas de longo prazo a céu aberto. Como resultado, eles perderam quatro chances de terminar a missão no passado. Eles foram extremamente cuidadosos cada vez que se aproximavam de Gazef e seus homens do Reino, a fim de evitar serem vistos. Se eles perdessem essa chance também, esses dias de rastreamento e perseguição se arrastariam sem parar.
“Da próxima vez… gostaria de pedir ajuda às outras equipes e deixar que façam parte do trabalho.”
Alguém respondeu as queixas de Nigun.
“Seria bom, mas sempre fomos especializados em extermínio, afinal.”
O orador era um dos homens que ficaram para proteger Nigun.
“Quero dizer, essa é uma missão estranha. Normalmente, teríamos apoio da Escritura da Flor do Vento para algo tão importante quanto isso.”
“Na verdade, não sei o porquê eles apenas deixaram ao nosso encargo dessa vez. Ainda assim, esta será uma boa experiência para nós. Podemos tomar isso como treinamento em infiltrar o território inimigo. Hm, pelo que sabemos, era isso que os nobres pretendiam.”
Nigun disse isso, mas ele estava muito ciente que outra missão desta natureza seria muito improvável.
As ordens que lhe haviam sido dadas foram “Assassinar o maior guerreiro do Reino, o homem cuja fama não respeitava fronteiras, um homem de poder incomparável, Gazef Stronoff”.
Este não era o tipo de tarefa que normalmente seria atribuída à Escritura da Luz Solar.
Em vez disso, teria sido providenciado a unidade de operações especiais mais poderosa da Teocracia, a Escritura Preta, cujos membros tinham poder equivalente ao poder dos heróis. No entanto, não foi possível desta vez.
O motivo era confidencial, então ele não podia contar aos seus subordinados, mas Nigun sabia a verdade.
A Escritura Preta estava protegendo a relíquia sagrada “Keiseikeikoku” em preparação contra a ressurreição do [Soberano Dragão da Catástrofe] Catastrophe Dragonlord, enquanto a Escritura da Flor do Vento estava ocupada perseguindo uma traidora que havia fugido com uma das relíquias da Princesa Miko. Nenhum deles teve tempo livre para ajudá-los.
Nigun inconscientemente tocou a cicatriz em sua bochecha.
Ele se lembrou da única vez no passado em que ele havia sido forçado a fugir com o rabo entre as pernas. O rosto daquela garota com uma espada amaldiçoada preta como a noite surgiu em sua mente.
Magia poderia ter facilmente curado a ferida sem deixar uma marca, mas ele tinha propositalmente deixado a cicatriz para gravar a lição daquela derrota humilhante em seu coração.
“…Aquela maldita Rosa Azul.”
A Rosa Azul era um grupo de aventureiras cidadãs do Reino, assim como Gazef. A sacerdotisa, em particular, foi quem mais provocou sua ira. Além de ser uma herege que adorava outro deus, ela interrompeu Nigun enquanto ele planejava atacar os demi-humanos. Seu maior sacrilégio foi acreditar que sua causa, a de defender aqueles monstros, era justa.
“…A humanidade é fraca e usa o que pode para se defender. Qualquer um que não saiba disso, é um tolo.”
Um dos subordinados parecia ter sentido a raiva ardendo nos olhos negros vidrados de Nigun e interveio:
“Mas, mas o Reino é tolo também.”
Nigun não respondeu, embora concordasse.
Gazef era muito forte, então, para enfraquecê-lo, eles tiveram que privá-lo de sua panóplia.
♦♦♦
O Reino estava dividido entre as facções dos Nobres e da Realeza. Desde que eles se opuseram a Gazef, protegido pela Facção Real, a Facção Nobre foi facilmente levada a tomar medidas políticas para eliminá-lo. Eles nem sequer pararam para considerar que o ímpeto por suas ações viria de uma potência estrangeira.
Gazef era um plebeu que subiu para seu status atual por força de sua esgrima, e então os nobres o desprezaram.
E isso levava a essa lógica conclusão.
O trunfo do Reino logo desapareceria por suas próprias mãos.
Essa era uma jogada extrema na visão de Nigun.
Eles — a Teocracia Slane — poderiam estar divididos em seis seitas, mas sempre que precisavam agir, eles o faziam como um só.
Uma razão para isso era porque todos respeitavam os deuses uns dos outros. A outra era porque todos sabiam que havia muitas tribos e monstros desumanos neste mundo, e que estariam em perigo se não trabalhassem juntos.
“…É por isso que todos devem trilhar juntos o caminho dos ensinamentos sacrossantos. A humanidade não deve lutar entre si, mas trabalhar de mãos dadas para criar um futuro melhor e mais brilhante.”
Gazef seria sacrificado por isso.
“…Conseguiremos matá-lo?”
Nigun não zombou do desconforto de seu subordinado.
Sua presa era o Capitão Guerreiro do Reino — o homem mais forte da região — Gazef Stronoff.
Eliminá-lo seria mais difícil do que atacar e exterminar os habitantes de uma enorme aldeia de Goblins. A fim de dissipar os medos de seus subalternos, Nigun respondeu calmamente:
“Vai ficar tudo bem. Neste momento, ele não possui nenhum dos Tesouros do Reino, aqueles que permitiam que ele sobrevivesse. Sem eles, matá-lo será fácil como cortar maçã… não, seria melhor dizer que sem eles, será a nossa única chance de matá-lo.”
O Capitão Guerreiro do Reino, Gazef Stronoff, era famoso como o mais forte lutador. Mas havia uma razão para essa reputação além de sua extraordinária esgrima.
Essa razão era as cinco relíquias do Reino. Embora apenas quatro fossem conhecidas, ele foi autorizado a usar todas.
As [Manoplas da Vitalidade] Gauntlets of Vitality, que faziam com que o usuário ficasse imune à fadiga. O [Amuleto da Imortalidade] Amulet of Immortality, que constantemente regenerava suas feridas. A [Armadura Guardiã] Guardian Armor, feita de adamantite e encantada para defletir ataques críticos. Razor Edge, a espada criada e encantada para possuir o gume mais afiado, poderia cortar através da armadura como dito no provérbio “faca quente na manteiga”.
Mesmo Nigun não podia esperar triunfar em um ataque frontal contra Gazef Stronoff, cuja habilidade ofensiva e defensiva aumentava astronomicamente quando usava esses itens. Não, pode ser que nenhum humano pudesse derrotá-lo enquanto equipado. No entanto, ele não tinha esses tesouros consigo agora, então essa era uma grande chance para Nigun.
“Além disso… nós também temos um trunfo próprio. Esta é uma batalha que não podemos perder.”
Nigun deu um tapinha no peito com a mão leve.
Neste mundo, havia três tipos de itens mágicos que ficavam fora dos tipos e classificações usuais.
O primeiro tipo, eram as relíquias de 500 anos atrás, deixadas para trás pelos Oito Reis da Ganância que haviam conquistado o mundo em um instante.
Segundo tipo, vieram dos Dragões, que já foram os mestres do mundo antes de serem dizimados pelos Oito Reis da Ganância. Os Dragões mais poderosos, os Dragonlords [Soberanos Dragões], fizeram os tesouros dracônicos secretos.
E o terceiro tipo eram os principais pilares da Teocracia Slane, os artefatos deixados para trás quando os Seis Deuses invadiram o mundo 600 anos atrás.
Esses eram os três tipos.
O que Nigun tinha no bolso agora era um tesouro raro que poucas pessoas da Teocracia Slane possuíam. Em outras palavras, era a arma secreta de Nigun.
Nigun olhou para a faixa de metal em seu pulso. Números se projetavam de sua superfície, indicando que a hora marcada havia chegado.
“Então… que comece a operação.”
Nigun e seus subordinados começaram a lançar magias.
Eles convocaram os anjos do mais alto nível que sua magia permitiria.
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