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Senhor das RunasCAP. 924 MIN

John ampliou a fotografia até os pixels começarem a desfazer a borda da roda.

O sulco no concreto não acompanhava uma rachadura nem uma junta antiga. Começava raso, quase uma marca comum deixada por carga pesada, e se aprofundava conforme o carrinho avançava pelo túnel. Na última imagem, a roda já havia rompido a camada superficial.

Elias se inclinou sobre o telefone, apoiando uma das mãos na bancada. — Quanto pesa esse núcleo?

John manteve os olhos na fotografia. — Não sei.

Elias examinou o sulco por mais um instante antes de voltar para as peças espalhadas diante dele. — Informação extremamente útil.

John reduziu a imagem e releu a mensagem de Ren.

Rota provável segue para o Distrito Sete.

A faixa em torno do tórax pareceu apertar.

Ele mudou de posição na cadeira.

A costela protestou.

Elias ouviu a respiração curta e ergueu o rosto. — Você não vai.

John desviou os olhos do telefone. — Não falei nada.

— Conheço você há tempo suficiente para reconhecer quando está planejando alguma coisa ruim — rebateu Elias, pegando uma presilha torta. — Descobri hoje que aparentemente não conheço o resto.

John deixou o aparelho sobre a bancada. — Se Darian levou aquilo para o Sete…

— A ANE vai atrás.

— Os sulcos estão ficando mais fundos.

Elias encaixou a peça na morsa. — Eu também tenho olhos.

A presilha havia cedido pouco, mas o metal não voltaria à posição original sem trabalho.

Elias soltou a ferramenta. — Você mal consegue levantar dessa cadeira sem usar a bancada. Seu peitoral está desmontado, uma das rotas de carga foi testada uma vez e eu acabei de descobrir que o homem para quem construí isso invade mercados de gente modificada.

John franziu a testa. — Não era exatamente um mercado de…

Elias levantou um dedo.

John parou.

— Não melhora.

Difícil defender uma correção que piorava a frase.

O telefone vibrou.

Ren.

John atendeu. — Estou aqui.

Ruído de veículo veio do outro lado.

— Coloque no viva-voz — ordenou Ren.

John ativou o áudio externo.

A voz de Ren ocupou a oficina.

— A rede municipal registrou quatro alterações de carga no Distrito Sete nos últimos dezessete minutos. Duas foram descartadas automaticamente como falha de sensor. A terceira derrubou um poste de monitoramento. A última deformou a suspensão de uma unidade de patrulha parada.

Elias abandonou a presilha. — Parada e sem carga?

— Dois agentes dentro — respondeu Ren.

Elias cruzou os braços. — Então não é distribuição normal de peso.

— Foi por isso que liguei.

John apoiou o antebraço na bancada. — Encontraram Darian?

— Não. O túnel sul desemboca numa malha de manutenção antiga. Há acessos fechados no mapa que continuam abertos fisicamente. Estamos bloqueando o distrito.

John olhou para a mensagem na tela. — Tem gente morando lá.

— Eu sei.

A resposta veio rápida demais para soar burocrática.

Ren continuou:

— Venn, preciso de você no perímetro. Quero comparação entre os danos no carrinho, no traje e as leituras dos sensores. O material que estava sob sua análise será transportado pela nossa equipe.

Elias apontou a chave para John. — E ele?

Houve uma pausa curta.

— Jonathan vem até o perímetro.

Elias apertou os lábios. — Ren…

— Até o perímetro — repetiu ele. — Quero saber se o que ele percebeu no Subnível aparece lá. Não estou autorizando intervenção.

John sentiu um zumbido baixo crescer no ouvido esquerdo. — E se aparecer?

— Você me diz.

John passou o polegar pela borda da bancada. — E se tiver gente dentro?

— A equipe retira.

Ele não respondeu.

Ren pareceu ouvir exatamente o que John escolhera não falar.

— Cooperação hoje não apaga invasão e obstrução. Também não muda o fato de você ter mentido para mim. Se atravessar uma contenção operacional, eu trato como escolha sua.

John olhou para o traje desmontado. — Entendi.

— Não acho que entendeu.

A ligação terminou.

Elias encarou o telefone. — Ele sempre desliga quando começa a parte útil?

John empurrou a cadeira para trás e tentou se levantar.

Precisou da bancada.

— Às vezes antes.

Elias já recolhia as placas. — Senta.

— Temos que ir.

— E você vai continuar tendo uma costela quebrada quando chegar lá.

O telefone vibrou novamente.

Lia.

Me disseram que você saiu.

Outra mensagem apareceu antes que John respondesse.

Se você estiver indo para onde eu acho que está indo, não vou discutir por texto. Volta para o hospital depois. Isso não é opcional só porque você decidiu que é.

John digitou:

Estou com a ANE.

Os três pontos surgiram quase imediatamente.

Isso não respondeu nada.

Excelente.

Guardou o telefone.

Elias já encaixava as placas numa caixa de transporte. — Lia?

John o encarou. — Como sabe?

Elias fechou a tampa. — Você parece mais preocupado com ela do que com Ren.

Ele entregou a caixa a um agente que acabara de entrar na oficina.

— Vamos.

Dessa vez, John não precisou insistir.

O veículo da ANE atravessou o último posto regular de Meridian, e a cidade mudou sem precisar de muro.

As fachadas perderam manutenção primeiro. Depois vieram trechos onde a iluminação pública existia apenas em postes alternados. Uma antiga via elevada acompanhou o veículo por alguns quarteirões até terminar sobre uma barreira de concreto coberta por tinta e cartazes.

Além dela, os trilhos continuavam.

John observava pela janela.

Conhecia aquele corte da cidade sem conhecer suas ruas.

Durante anos, reportagens sobre a Queda repetiram imagens de prédios inclinados contra o céu. Quase todas mostravam também a avenida coberta de poeira antes de terminarem no bloco residencial mantido por John Senior durante onze minutos.

Aos dez anos, John aprendera o formato daquele edifício antes de entender o que significava uma morte pública.

Elena nunca o proibira de pesquisar.

Também nunca pronunciava o nome da rua.

O veículo passou sobre uma emenda no asfalto.

A lataria estalou.

John esperou o impacto nas rodas.

Não veio.

O som atravessou o teto e as laterais como se alguém tivesse torcido a carroceria pelas extremidades.

Elias ergueu o rosto do leitor.

O motorista olhou para o retrovisor. — Buraco?

Elias consultou a tela. — Não.

Ninguém acrescentou nada.

Duas ruas depois, John percebeu uma poça junto ao meio-fio.

A água tremia.

Não com a passagem do veículo.

Uma fina corrente escapava da poça e subia pela inclinação da sarjeta, avançando alguns centímetros antes de se desfazer.

John acompanhou aquilo pela janela até desaparecer atrás deles.

A mão dele apertou o banco.

O veículo virou.

John reconheceu a placa antes mesmo de terminar de lê-la.

AVENIDA ORDEN — ACESSO RESTRITO

A parte inferior estava coberta por uma camada antiga de tinta vermelha.

Elias deixou o leitor sobre o joelho e observou John. — Você já veio aqui?

— Não.

— Mas sabe onde estamos.

John manteve os olhos na janela. — Sei.

Elias esperou.

John não acrescentou nada.

A primeira barreira da ANE havia sido montada diante de uma antiga estação ferroviária. Moradores discutiam com agentes do lado de dentro. Um homem empurrava um carrinho cheio de ferramentas enquanto uma mulher tentava convencer dois adolescentes a abandonar um prédio interditado.

O alarme municipal tocava em intervalos longos.

Pouca gente parecia impressionada.

— Já tocaram isso três vezes este ano! — gritou alguém perto da barreira. — Na última vocês foram embora e deixaram a gente esperando até de manhã!

Um agente tentou responder.

O homem riu.

A confiança no sistema local cabia inteira naquela risada.

O veículo avançou.

John viu uma oficina funcionando atrás de uma porta de aço marcada como ESTRUTURA CONDENADA. Um cabo de energia atravessava a rua por cima, preso entre janelas. Mais adiante, roupas secavam numa varanda que oficialmente não deveria ter moradores.

A administração de Meridian terminara muito antes dali.

As pessoas, não.

Um semáforo balançou acima do cruzamento.

Não havia vento.

Por alguns segundos, os cabos que o sustentavam permaneceram inclinados para direções diferentes.

Então voltaram ao lugar.

John sentiu o cinto pesar contra a clavícula.

A pressão cresceu.

A suspensão dianteira gemeu.

Seu joelho foi empurrado contra o piso.

Respirar exigiu esforço por dois segundos.

Então tudo passou.

Elias ergueu o leitor. — Sentiu?

John soltou o ar que não percebera estar segurando. — Sim.

O motorista conferiu o painel. — Sensor marcou aumento de vinte e oito por cento.

— Gravidade local? — perguntou Elias.

— O sistema chama de erro de carga.

Elias aproximou a mão do painel lateral sem tocá-lo. — Alimentação normal. Sensor também. Se está mentindo, não é pane elétrica.

John encostou os dedos na parede interna do veículo.

Compreender respondeu devagar.

A carroceria surgiu primeiro como relações de peso e tensão.

Depois o asfalto.

As juntas.

Fundações.

E algo abaixo delas.

Uma pressão funda demais para pertencer ao veículo.

Verde apareceu no canto de sua visão.

A sensação alcançava uma área maior do que os sensores indicavam.

— John? — chamou Elias.

Ele retirou a mão.

As linhas demoraram um instante para desaparecer.

— Tem alguma coisa no solo.

O motorista levou a mão ao rádio. — Unidade técnica chegando ao setor quatro.

A resposta de Ren veio imediatamente:

— Recebido. Não avancem além do segundo bloqueio.

O peitoral voltou ao corpo de John sob supervisão de dois agentes e objeções suficientes de Elias para preencher o tempo de montagem.

As placas mais danificadas haviam sido removidas. A lateral esquerda recebera uma ligação provisória para evitar pressão direta sobre a costela. Distribuir permanecia numa placa central conectada às laterais por malha metálica.

As grevas vieram separadas.

Ainda eram material sob custódia.

Elias puxou uma correia.

John perdeu o ar. — Menos.

— Se deixar frouxa, a placa vira um martelo quando você se mover.

John pressionou a lateral do corpo. — Minha costela já tem experiência.

Elias afrouxou dois centímetros. — E parece interessada em ampliar o currículo.

Ren se aproximou. Poeira marcava as calças, e o rádio estava preso alto no colete.

Ele examinou o peitoral. — Não confunda isso com devolução.

John ajeitou a placa. — Não estou confundindo.

Ren apontou para a marcação vermelha no chão. — Está vestido.

— Para teste.

— E vai continuar deste lado da faixa.

Além dela, agentes percorriam a avenida retirando moradores.

John desviou o olhar.

Um pequeno memorial estava encostado na parede de uma antiga farmácia.

Demorou alguns segundos para entender o que estava vendo.

Uma placa metálica cheia de nomes.

Flores artificiais desbotadas amarradas à grade.

No alto:

QUEDA DO DISTRITO SETE — AOS QUE FICARAM

John não se aproximou.

Não precisava conferir.

Sabia que o nome estava ali.

Seu telefone vibrou.

Mãe.

O polegar pairou sobre a tela.

John deixou tocar.

Ren acompanhou o movimento.

Depois olhou para o memorial.

Não comentou.

Um estampido veio da avenida.

Todos se viraram.

Uma van estacionada havia descido sobre a suspensão traseira. O para-choque quase tocava o chão.

Não havia ninguém dentro.

Um agente levantou a mão. — Isola!

John avançou até a faixa.

— Espera.

Ren segurou seu braço. — Daqui.

John se ajoelhou com dificuldade.

O joelho quase falhou antes de tocar o asfalto.

Colocou a mão no chão.

A Trama veio forte demais.

Por um segundo, linhas verdes cobriram a rua.

Não estavam apenas na van.

A massa do veículo pressionava o asfalto, mas a relação seguia para baixo e depois lateralmente, como se o peso estivesse encontrando uma direção que não deveria existir.

O mesmo acontecia com um poste.

Com parte da fachada à esquerda.

Mais longe, alguma coisa puxava.

John retirou a mão.

O mundo real demorou a voltar.

— Não é a caixa sozinha.

Ren se abaixou perto dele. — O que significa?

John olhou para a avenida. — Está ativando alguma coisa.

— O quê?

John procurou uma resposta nas estruturas.

Não encontrou.

— Não sei.

A mandíbula de Ren endureceu.

O rádio o interrompeu.

— Setor cinco, moradores presos no edifício quarenta e dois. Porta principal não abre. Parece travada pelo peso.

Ren se levantou. — Equipe dois, comigo.

John ouviu o número.

Quarenta e dois.

O resto da transmissão desapareceu.

Não porque o rádio tivesse falhado.

John ergueu os olhos.

O edifício estava do outro lado da avenida.

Por um instante, não viu as placas cobrindo algumas janelas.

Não viu os pilares improvisados no primeiro andar.

Viu uma fotografia.

A imagem antiga se encaixou sobre a fachada real com precisão desconfortável.

A janela quebrada no terceiro andar.

A coluna da entrada.

A linha do telhado.

Na fotografia, tudo estava coberto por uma névoa cinzenta de concreto pulverizado.

John quase conseguiu sentir o cheiro daquela poeira que nunca respirara.

O presente devolveu outro cheiro.

Ozônio.

Fiação aquecida.

Asfalto.

O peito de John apertou antes que a costela pudesse reclamar.

Onze minutos.

Seu pai estivera ali.

Não numa linha de relatório.

Ali.

A poucos metros.

John percebeu que havia parado de respirar.

Inspirou.

Doeu.

Elias se aproximou um passo. — John?

Ele já estava andando.

Ren percebeu e se virou. — Jonathan.

John não tirou os olhos da fachada. — Foi ali.

Ren acompanhou o olhar. — O quê?

John demorou.

A garganta pareceu seca.

— Meu pai.

Ren olhou para o edifício.

Depois para John.

Nenhuma condolência.

Nenhuma pergunta.

Apenas a operação diante deles.

John preferiu assim.

Ren apontou para trás da faixa. — Fica aqui.

Então seguiu com os agentes.

John permaneceu diante da marcação vermelha.

Uma pancada veio do edifício quarenta e dois.

Depois outra.

Alguém gritava atrás da porta.

O passado teve a delicadeza de não esperar sua vez.

A primeira equipe tentou abrir pelo mecanismo de emergência.

Nada.

A folha metálica parecia pressionada contra o próprio batente.

Elias aproximou o leitor do quadro elétrico externo. — O motor recebe alimentação. Está tentando trabalhar.

Um agente segurou a ferramenta junto ao portão. — Então por que não abre?

Elias apontou para a estrutura deformada. — Porque eletricidade não convence uma porta que ficou pesada demais.

John segurou a grade do perímetro.

A pressão atravessava o prédio em zonas.

Fechou os olhos por um instante.

— Tem gente no corredor térreo.

Ren levou o rádio à boca. — Entrada lateral.

Uma agente respondeu que a passagem estava bloqueada por uma laje antiga.

A pancada voltou.

John olhou para a faixa vermelha.

Ren percebeu.

— Não.

John indicou o prédio. — Eu consigo abrir.

— Você acha que consegue.

— A força está puxando a porta para baixo e para dentro.

Ren apontou para a equipe. — E eles estão avaliando.

Metal raspou dentro do edifício.

A marquise sobre a entrada desceu alguns centímetros.

John viu a relação antes dos sensores apitarem.

— Ren.

O agente ergueu o rosto.

— Recuem!

A marquise cedeu.

Uma figura atravessou a avenida pelo lado oposto e alcançou o suporte antes do impacto.

A mão tocou a coluna.

A queda mudou de direção.

Em vez de esmagar a entrada, a estrutura desviou para a direita e atingiu o asfalto com violência.

Fragmentos correram pela rua.

O homem manteve a mão na coluna até a força terminar.

John o reconheceu.

Cael Ordan.

Vetor.

Já havia visto o rosto dele em transmissões da Vanguarda e, mais recentemente, nas imagens que pesquisara dos incidentes.

Cael soltou o suporte.

Seus olhos cinza encontraram John do outro lado da faixa.

Desceram para o peitoral.

Depois para as grevas.

Permaneceram um instante a mais nas placas improvisadas.

Cael virou para Ren. — É ele?

Ren não respondeu.

Não precisava.

Cael atravessou o espaço entre eles e parou diante de John. — Afasta da contenção.

John olhou para o prédio. — Tem pessoas dentro.

Cael acompanhou o olhar. — Eu sei.

— A porta está presa pela anomalia.

— Também sei.

Cael tornou a encará-lo. — Você está ferido, usa equipamento apreendido e não tem registro operacional. Não vai entrar.

John apontou para a porta. — Seus sensores estão olhando o peso dela.

Cael estreitou os olhos. — E você está olhando o quê?

John hesitou.

— O caminho.

Cael esperou.

Não recebeu mais nada.

— Isso não é suficiente.

Uma mulher gritou dentro do edifício.

John passou por ele.

Cael segurou a placa do ombro direito.

John ativou Impulsionar por reflexo.

A inscrição na greva respondeu.

Seu corpo foi lançado para a frente.

Cael manteve uma mão na placa e apoiou a outra na barra metálica do perímetro.

O impulso mudou de direção.

John foi jogado para o lado.

O joelho cedeu.

A costela explodiu em dor quando ele bateu contra a grade.

Elias chegou antes que tentasse levantar. — Você acabou de usar a placa nova para cair de lado.

John segurou a grade. — Eu percebi.

Cael soltou a barra. — E é exatamente por isso que você não entra.

John respirou curto.

Mas seus olhos estavam nos pontos de contato.

Ombro.

Grade.

Mudança de direção.

— Você desviou o impulso.

Cael percebeu para onde ele olhava. — Sim.

— Tocando meu ombro.

— A placa conduziu a força. A grade me deu outro apoio para redirecioná-la.

John guardou aquilo.

Cael viu.

— Não testa de novo.

O olhar dele caiu para a greva.

A inscrição verde estava desaparecendo.

Depois subiu para o marcador preso junto à mão de John.

— Você troca o efeito desenhando?

John ficou imóvel por uma fração de segundo.

— Mais ou menos.

Cael não pareceu gostar da resposta.

Seus olhos passaram da greva para as placas do peitoral. — Isso não parece uma Manifestação.

John sustentou o olhar. — Não falei que era.

O prédio gemeu antes que Cael pudesse continuar.

Uma janela no térreo estourou para dentro.

A porta principal afundou ainda mais no batente.

Uma mão pequena apareceu atrás do vidro quebrado.

Elias apontou. — Tem alguém ali.

Cael já estava se movendo.

Ren levantou o braço. — Abertura imediata!

John se apoiou na grade e levantou.

A criança tentou passar pela janela.

A moldura se deformou.

A parede acima dela rachou.

John atravessou a faixa.

Ren girou. — Jonathan!

Ele não parou.

Cael virou para interceptá-lo. — Volta.

John puxou o marcador. — Se quiser me tirar, tira depois.

Ajoelhou junto ao pilar lateral.

A costela quase impediu que alcançasse a superfície.

Desenhou Sustentar diretamente no concreto.

O traço saiu irregular por causa dos dedos dormentes.

Corrigiu a ligação.

Ativou.

O verde entrou no pilar.

A rachadura desacelerou.

Cael olhou primeiro para o concreto.

Depois para o marcador na mão de John.

— Quanto tempo?

John manteve a palma perto da estrutura. — Não sei.

— Resposta ruim.

— Eu sei.

Cael foi até a janela e tocou a moldura. Quando parte da fachada tentou ceder, redirecionou a força para o suporte lateral já evacuado.

— Tirem a criança!

Um agente puxou a menina pela abertura.

Outra pessoa apareceu atrás dela.

John sentiu Sustentar exigir mais.

— Elias!

O técnico ainda estava do outro lado da faixa. — O quê?

John bateu dois dedos contra a placa central. — Ligação esquerda.

Elias atravessou até ele. — Você acabou de pedir para eu não ser subordinado e agora grita meu nome como ferramenta.

— Está aquecendo.

Elias encostou os dedos perto da malha.

Seu humor desapareceu.

— A presilha está deslocando.

John tentou olhar. — Consegue ajustar?

— Se você parar de mexer.

John ficou imóvel.

Elias apertou o encaixe.

A parede vibrou.

— Tem mais gente! — gritou o agente na janela.

Um homem tentou sair.

O peso mudou.

John sentiu primeiro nas pernas.

Seu corpo inteiro ficou mais pesado.

A menina recém-retirada caiu de joelhos.

Cael agarrou o braço dela.

A fachada começou a avançar para a rua.

Ren abriu os braços. — Recuem!

O homem ainda estava preso na janela.

John viu as relações se sobreporem.

A fachada precisava de Sustentar.

A moldura precisava abrir.

Seu próprio corpo era puxado para baixo e para o sul.

Destroços começaram a deslizar pelo piso interno.

John olhou para Elias. — Grevas.

Elias virou para ele. — Você já está usando uma runa.

— Eu sei.

— Isso não foi concordância.

Mesmo assim, trouxe a segunda greva e fechou a presilha no tornozelo esquerdo.

John quase caiu ao apoiar o pé. — Essa conexão aguenta?

Elias conferiu a trava. — Não sei. Você transformou teste de bancada em arquitetura.

Vai ter que servir.

John desenhou Aderir na base das grevas e as pressionou contra o trilho antigo que atravessava a entrada.

Ativou.

As botas se fixaram ao metal.

O peso continuou crescendo.

Impulsionar entrou na greva direita, orientado contra a atração lateral.

A reação percorreu sua perna e encontrou o trilho.

Cael observou as duas inscrições. — Desliga isso.

John apontou para o homem preso. — Tem alguém ali.

— Eu tiro.

Cael tocou a moldura e tentou redirecionar a pressão.

A janela abriu alguns centímetros.

O homem empurrou o corpo.

Uma rachadura atravessou a parede acima.

John viu o caminho.

— Para!

Cael retirou a mão. — Por quê?

John apontou para o pilar. — A força está indo para Sustentar.

Cael acompanhou a inscrição verde. — Você está segurando isso?

— Parte.

— E não consegue manter se eu descarregar ali.

John procurou outra rota.

Compreender aprofundou-se.

O verde ocupou sua visão.

O trilho sob seus pés ainda se conectava a uma base antiga fora do edifício.

— Para o trilho.

Cael tocou a moldura com uma mão e colocou a outra no metal exposto junto ao piso. — Quando eu fizer, ele recebe a carga.

— Distribuo.

Elias virou imediatamente. — Não.

John manteve os olhos no trilho. — É a rota mais segura.

— É uma runa que testamos com um martelo.

John olhou para ele. — Elias.

— Eu sei seu nome.

O teto do corredor interno estalou.

O homem gritou.

Elias agarrou a malha do peitoral e verificou a presilha. — Se essa peça abrir, eu corto a conexão. Não discute.

John assentiu.

Não disse que conseguiria sozinho.

Arrancou a placa móvel do antebraço e desenhou Conter sobre ela.

Cael acompanhou o marcador.

Uma inscrição.

Depois outra.

E efeitos diferentes.

A expressão dele mudou apenas o suficiente para mostrar que estava registrando aquilo.

Elias percebeu o que John precisava antes que ele pedisse. Encaixou a peça na faixa inferior da moldura e fechou a presilha mecânica através dos dois suportes.

Metal e janela formaram uma única ligação rígida.

John ativou Conter.

A intenção não era segurar o prédio.

Precisava impedir que os fragmentos do corredor avançassem sobre quem saía.

A luz delimitou a abertura.

John ativou Distribuir.

Cinco relações ficaram vivas.

Sustentar mantinha a parede.

Aderir prendia as grevas ao trilho.

Impulsionar lutava contra a atração lateral.

Conter bloqueava os destroços.

Distribuir abriu caminhos pelo peitoral e desceu pelas conexões.

Por um instante, John sentiu tudo.

Então o corpo cobrou.

A placa central bateu contra sua costela.

Uma vez.

Outra.

O metal vibrava sobre o osso a cada mudança de carga.

Calor atravessou a camisa.

John tentou inspirar.

O peitoral não acompanhou.

A respiração parou no meio.

— Agora! — conseguiu gritar.

Cael redirecionou.

A carga entrou no trilho.

Distribuir a recebeu.

A placa central golpeou seu peito.

O mundo ficou verde.

Parte da força correu para a lateral direita.

Outra parcela desceu.

A malha aqueceu mais.

Quente demais.

A pele sob o tecido começou a arder.

A greva esquerda gemeu.

Metal contra metal.

Metal contra osso.

A energia terminou no trilho e na base enterrada.

Um estampido atravessou o concreto.

O homem saiu da janela.

Um agente apontou para dentro. — Mais uma!

John tentou respirar.

Pouco ar.

O peitoral apertava.

A costela pulsava sob a placa.

Distribuir impedia que toda a carga se concentrasse num único ponto, mas não fazia a força desaparecer.

Ela continuava passando por ele.

Ombro.

Tórax.

Quadril.

Pernas.

Os dedos da mão esquerda começaram a formigar.

Depois perderam sensibilidade.

A presilha direita abriu meio centímetro.

Elias viu.

— John, desliga Distribuir.

— Ainda não.

A voz saiu menor do que John pretendia.

Elias segurou a lateral do peitoral. — Está saindo da malha.

Uma mulher apareceu na janela.

Cael manteve uma mão na moldura e olhou para John. — Dez segundos.

Dez.

John tentou puxar ar.

A costela recusou.

Nove.

A placa queimava através do tecido.

Oito.

Sustentar começou a falhar na extremidade superior.

Sete.

Conter pulsou.

Poeira e fragmentos pressionaram o limite verde.

Seis.

O calor alcançou a lateral do tórax.

John sentiu o gosto de metal antes de perceber o sangue.

Vai romper.

— Conter vai saturar.

Cael apertou a moldura. — Quanto?

John piscou.

A visão demorou a acompanhar.

— Pouco.

— Isso significa o quê?

John olhou para a mulher.

— Tira ela.

Cael puxou.

Um agente agarrou o outro braço dela.

A mulher passou pela abertura.

Elias gritou:

— Agora!

John tentou desligar Conter.

A runa resistiu.

Sua intenção mudou.

A conexão não.

Um segundo.

Talvez menos.

Tempo suficiente.

O nariz aqueceu.

Uma gota de sangue caiu sobre o peitoral.

Elias agarrou a presilha de emergência. — John!

Puxou.

A placa desprendeu-se da moldura.

A integração física terminou.

Conter morreu.

Os destroços caíram dentro do corredor vazio.

John desativou Sustentar.

Depois Impulsionar.

Aderir foi a última.

Quando as botas se soltaram, seu joelho direito dobrou.

Cael segurou-o antes da queda.

John tentou afastar sua mão.

— Fica parado — ordenou Cael.

— Estou.

Cael olhou para as pernas dele. — Você está caindo.

John abriu a boca.

Cael levantou um dedo. — Não.

John aceitou o braço.

Elias chegou e abriu o peitoral.

O ar frio tocou a pele aquecida.

John puxou uma respiração curta.

Elias examinou a malha. — Queimou perto da lateral.

John tentou olhar. — Quanto?

— O suficiente para eu não deixar você usar de novo.

— Funcionou.

Elias apontou para a greva.

Uma faixa de metal havia entortado.

— Isso também funcionou até deixar de funcionar.

John olhou para o edifício.

Os últimos moradores eram retirados pela abertura improvisada.

Por alguns segundos, ele viu apenas aquelas pessoas se afastando do quarenta e dois.

Uma criança.

Um homem.

Uma mulher.

Saindo.

O número surgiu sem permissão.

Onze minutos.

John desviou os olhos.

Ren se aproximou.

A expressão dele não trazia alívio.

Parou diante de John. — Você atravessou uma contenção depois de uma ordem direta.

John limpou o sangue do nariz com o punho. — Sim.

Ren olhou para os moradores retirados. — Salvou pessoas.

— Sim.

Ren voltou os olhos para ele. — Uma coisa não cancela a outra.

John sustentou o olhar. — Eu sei.

Ren hesitou por uma fração de segundo.

Talvez tivesse preparado uma discussão inteira e acabasse de perder a abertura.

Cael soltou John devagar.

Seus olhos ainda percorriam as placas.

— Ele também quase derrubou a própria rota de carga.

Elias fechou a lateral do peitoral. — Essa parte é minha reclamação.

Cael apontou para as inscrições que desapareciam. — Quantas eram?

John não respondeu.

Cael continuou olhando para o traje. — Eu vi cinco efeitos diferentes.

John ajeitou a faixa do tórax. — Então não precisa perguntar.

Os olhos cinza subiram até ele.

— Preciso saber se você entende o que está fazendo.

John olhou para o trilho deformado.

Demorou antes de responder.

— Nem sempre.

Cael ficou em silêncio.

Não parecia uma resposta que alguém encarregado de segurança gostaria de ouvir.

Ren recebeu uma transmissão e virou parcialmente de costas. — Repete.

O rádio chiou.

— Setor seis registrando deslocamento horizontal. Sensores de inclinação em quatro estruturas mudaram juntos.

John ergueu a cabeça. — Horizontal?

Elias pegou o leitor e procurou as novas leituras. — Isso não é peso local.

O chão vibrou.

Fraco.

Uma garrafa vazia junto à sarjeta rolou para o sul.

A rua parecia plana.

A garrafa não parou.

John observou.

Depois tocou o trilho.

Compreender o atingiu antes que estivesse preparado.

Verde.

O trilho desceu pela estrutura.

Encontrou outro.

Depois fundações.

Tubulações.

Paredes enterradas.

Relações acumuladas sob quarteirões inteiros.

E então alguma coisa grande demais.

John prendeu a respiração.

Aquilo não se concentrava numa única fonte.

Fundações antigas permaneciam ligadas a trilhos enterrados. A tensão acumulada durante anos passava de uma estrutura para outra.

O núcleo estava em algum ponto abaixo ou adiante.

Mas o efeito havia escapado da escala de uma caixa.

Muito além.

John arrancou a mão do trilho.

Cael percebeu a reação e se aproximou. — O que você viu?

John olhou para a avenida.

Para os prédios.

Para as pessoas ainda sendo retiradas.

— Todo mundo para trás.

Ren já levantava o rádio.

Um estalo atravessou a rua.

O prédio ao lado do memorial perdeu uma fileira inteira de vidros.

Ren girou para os agentes. — Evacuação total deste setor! Agora!

O asfalto abriu uma fissura junto ao meio-fio.

Ela não avançou pela rua.

Correu lateralmente.

Um poste inclinou alguns graus para o sul.

Depois outro.

Elias ficou imóvel diante do leitor. — John…

Do outro lado da avenida, um edifício de seis andares permaneceu quase vertical enquanto sua base raspava sobre a fundação.

Concreto contra concreto.

Centímetro por centímetro.

O prédio avançou.

Não tombou.

Não afundou.

Moveu-se.

John sentiu a pressão atrás dos olhos crescer.

O edifício seguinte se moveu também.

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