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Kill the SunCAP. 7846 MIN

Depois de entregar o livro a Nick, o Sol desapareceu novamente.

Pela primeira vez na vida, Nick havia tido contato com o verdadeiro Sol, ou mais precisamente, com algum tipo de alienígena que o utilizava.

Estava claro que o Sol não era senciente. Não havia dúvida quanto a isso.

Era quase onipresente e podia observar qualquer um a qualquer momento.

O fato de não ter olhado para Nick até ele sair da Unidade de Contenção já era prova suficiente de que não era senciente.

Além disso, só começou a prestar atenção neles quase meia hora depois de matarem o Pesquisador Invejoso.

Um ser onipresente e senciente teria simplesmente virado a cabeça para olhar.

“Eu esperava que isso acontecesse em algum momento”, pensou Nick. “Precisava me tornar um agente do Sol em algum ponto. Espectros são criações do Sol, e inevitavelmente existem restrições sobre eles.”

“Sem sua bênção, eu não conseguiria avançar em certo momento.”

“Planejava me tornar um agente eventualmente, mas não faz diferença se é agora ou depois.”

“Ganhei mais uma máscara, mas nada realmente mudou.”

“Na verdade, só coisas positivas vieram disso.”

— Agora trabalhamos para o mesmo ser — comentou o Campeão. — No entanto, não muito mudou. Você ainda faz parte da Égide.

Nick assentiu. — O Sol é aliado da humanidade, e a Égide representa a humanidade. Entre os dois, não há muita diferença sobre para quem trabalho. Tudo se resume à mesma coisa: a ascensão da humanidade.

O Campeão assentiu. — Como já declarei no passado, o Sol não é inimigo da humanidade, mas seu aliado. Nosso dever para com o Sol é ainda mais importante do que nosso dever com a Égide. A Égide representa apenas uma era, enquanto o Sol representa toda a história da humanidade.

— Concordo — disse Nick. — Conforme instruído, não compartilharei nenhuma das informações que ouvi hoje. Imediatamente começarei meu novo trabalho. O Pesquisador Invejoso acabou de morrer, e o Técnico provavelmente já está se preparando para pesquisar todos os tipos de coisas.

O Campeão olhou para Nick. — Um aviso. Os Espectros ainda são nossos inimigos, apesar de serem criações do Sol.

— Entendo — respondeu Nick. — Eles são uma provação para a humanidade. A provação não teria valor se eles não dessem o melhor de si para impedir a humanidade.

— Desde que compreenda isso — disse o Campeão.

Nick fez uma reverência rápida e respeitosa. — Retornarei aos meus deveres, Campeão.

O Campeão apenas assentiu, e a função de isolamento do escritório foi desativada.

Nick saiu do escritório do Campeão e entrou no escritório da Braço Esquerdo.

Naturalmente, a Braço Esquerdo já havia retornado.

— Algo que eu deva saber? — ela perguntou.

— Nada mudou — disse Nick. — Apenas recebi uma condecoração e mais alguns anos de licença das minhas funções.

A Braço Esquerdo assentiu. — Avise quando estiver pronto para voltar ao trabalho.

Nick apenas assentiu antes de sair.

A Braço Esquerdo era extremamente inteligente, e ela pôde ouvir a mensagem secreta de Nick.

Nada havia mudado.

Ao conversar em segredo, nenhuma palavra desnecessária era dita.

Palavras desnecessárias obscureciam a mensagem.

O fato de Nick ter começado com aquela frase significava apenas uma coisa.

Sua lealdade ainda era com o Técnico e com a Braço Esquerdo.

É claro, também era possível que as lealdades de Nick tivessem mudado e que ele soubesse exatamente o que dizer para apaziguar as suspeitas da Braço Esquerdo.

Ambas eram possibilidades.

Mas a Braço Esquerdo confiava em Nick.

Ela sabia de onde Nick vinha.

Sabia sua origem e o quanto ele desejava ajudar a humanidade.

Este não era apenas um Espectro qualquer.

Este era Nick.

Além disso, o fato de Nick ter dito que recebeu uma condecoração e alguns anos de tempo livre também era uma mentira óbvia.

O Campeão nunca havia lhe concedido tempo livre.

Tudo fora aprovado pela Braço Esquerdo.

E uma condecoração?

Do Campeão?

Ele realmente não parecia o tipo de pessoa que elogiaria um Espectro.

Naturalmente, a Braço Esquerdo estava certa em sua suspeita.

O Campeão não lhe dera tempo livre algum.

Nick simplesmente mentiu, dizendo que recebeu alguns anos, para poder se beneficiar mais.

Obviamente, Nick precisava apresentar uma justificativa para ter conversado com o Campeão em particular, e usou essa mentira como disfarce.

O que o Campeão poderia fazer? Contar à Braço Esquerdo que não concedeu nenhum tempo livre a Nick?

Isso tornaria tudo ainda mais suspeito.

— Usarei boa parte do meu tempo livre para aprender mais sobre tecnologia. É uma área em que ainda estou carente. Conhecer melhor como funcionam nossas armas vai me ajudar — disse Nick.

A Braço Esquerdo não demonstrou nenhuma reação.

— Você é livre para fazer isso — respondeu ela.

Naturalmente, essa era outra mensagem secreta.

No entanto, o que revelava a mensagem secreta não era o conteúdo, mas o contexto que coloria o conteúdo.

A Braço Esquerdo sabia que o Campeão estava ouvindo.

O fato de Nick ter comentado que estudaria tecnologia enquanto o Campeão ouvia disse à Braço Esquerdo tudo o que ela precisava saber.

Nick raramente dizia à Braço Esquerdo o que estava fazendo, e o fato de tê-lo feito era uma grande pista.

A Braço Esquerdo acreditava que Nick agora também estava trabalhando para o Campeão e que suas funções estavam relacionadas ao progresso tecnológico da humanidade.

Como a Braço Esquerdo sabia a verdade sobre o Sol, ela entendeu o que aquilo significava.

Nick assumira o trabalho do Pesquisador Invejoso.

Isso era perfeito!

Nick era o próprio ser responsável por impulsionar secretamente o avanço da tecnologia humana, enquanto o Pesquisador Invejoso era o ser responsável por suprimir esse avanço.

Agora, Nick era ambos.

Nick era o detetive encarregado de resolver um assassinato enquanto também era o assassino.

A compreensão entre os dois era exemplar.

Isso porque a Braço Esquerdo era extremamente experiente e muito inteligente, enquanto Nick era um mestre da mentira e da dissimulação.

Ambos conseguiam trocar informações enquanto a pessoa mais poderosa do mundo os ouvia.

A base dessa forma de comunicação era uma só:

Confiança.

Ambos confiavam que o outro era inteligente o bastante para decifrar a mensagem oculta.

E ambos estavam certos.

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